O que é o amor? Será que eu sei? Amar é dividir a comida do próprio prato, sem negação, sem egoismo, é a sua comida ser também de outro alguém. Mas como é difícil dar de alimentar pra outra gente. Penso que amar é analógico, é fictício. Penso na rua, nas pessoas, nos desgostos, nas vulgaridades, no cotidiano, nas continuidades, no bar, no moço, na moça, no corpo, no copo, e não há amor em nenhuma dessas coisas. Há prerrogativas, prazeres, medos, volúpias, melodias, alcalóides. Não amor. Há amor na dedicação de um prato feito pra quem se ama, na comida que se tira da boca com carinho, pra uma boca que pede. É a vontade e a negação de si mesmo. É a constante negação de quem se é. E ama-se intuitivamente.
José amou Clara, que o amou com prazo de validade. Clara amou mais alguém e mais outro, e achou de uma bela brincadeira. José então amou Joana, mas tinha medo, fez pela metade, disse as coisas erradas, magoou a coitada. Joana ficou triste, amou e não pode mais, decidiu amar outro e não conseguir amar mais ninguém.
Amor é espólio pouco, é o pouco resto e a agradecida renúncia de seus poucos alqueires. É o alumbramento do corpo, é o alumbramento da descoberta de outro corpo, e é a capacidade e a educação sentimental, é a educação pela pedra, é a arte de amar, é o encontro de solidões, é a ditadura do afeto, e são todas as revoluções, e são todas as religiões.
É um corpo visto e a cena do vestido no chão, são as mãos e as pernas tremendo, é o soluço contido, são todas as covardias do mundo.
2 comentários:
vem que eu te quero tolo
vem que eu te quero todo
meu
olá joão das marias
:)
aehaiheiaheiahieahe
Postar um comentário