Daí, julgou tudo tão simples e tão esparso, tão longe de tudo no tempo pelo tanto tempo que ainda virá, que, em um desapego niilista, se posicionou dali a três meses, oito meses, a alguns anos e algumas décadas, e entendeu a desimportância de tudo, que já percebera antes, mas que sempre volta a incomodar. Era uma verdade instantânea e que não duraria, pois é humano se contradizer e visitar cidades e museus que já se imaginavam visitados e vistos, por tanto, superados.
Levantou da mesa, que também julgava um exagero de convenção, e foi ao banheiro, para cumprir com todos os ritos sociais que tinha se acostumado, fez por falta de vontade da rebeldia, pegou a escova e cerimoniosamente limpou todos os dentes desapercebidamente, até que, pelo tempo passado, terminou por desistência, e pensou em outro passatempo para se ocupar.
Era um dia de chuva e leve frio, dos dias em que a iluminação natural é pouca, e toda a vida fica na sombra, dias geralmente associados à melancolia ou a tristeza, mas que na verdade são só dias de sono, daqueles que se volta a deitar por frio e se encontra a dormir por horas e horas, até quando o sol já se pôs, quando a hora é a do jantar, e que depois alguns já se dispõem a dormir de novo, num dia inútil e inválido, mas necessário para um contato com a solidão, as vezes prolífico e proveitoso, em outras oportunidades cego e redundante.