quarta-feira, 10 de outubro de 2007

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Então pensei que eu não era apto a viver. Pensei isso por uma lógica simples, talvez por isso, quase verdadeira, universal. Pensei o seguinte, eu não sou ou estou apto a viver. Pensei que assim como algumas pessoas não nasceram para ser matemáticos ou engenheiros, ou como alguns não eram nascidos para a beleza ou para a boa forma física, assim como alguns não tem a disposição para serem atletlas ou pensadores. Pensei então que alguns não tem a aptidão para viver, para enfrentar as mazelas de tudo, da sua própria cabeça, do convívio social, dos conceitos de tudo, da moral, da ética, do corpo, da libído, da preguiça, do sono, do medo, seja do que for. Algumas pessoas tem a inabilidade natural e não sabem se sustentar com o peso do dia. Assim como só é possível aguentar o desagradável por pouco tempo, assim a vida se pesava sobre mim, como responsabilidade que afoitamente queremos nos livrar. Entendi, então, que não estou apto a viver e, portanto, sei que meu tempo não é muito e que em algum momento desistirei.
E isso, essa epifânia pobre, aconteceu as seis e meia da manhã, dentro de um ônibus, voltando pra casa por um motivo qualquer. Percebi que, mesmo não tendo nada para se sentir satisfeito, não tinha nada para reclamar, mas ainda assim, percebi o quanto era desagradável toda existência possível. Da minha realidade imediata em uma cidade pequena até um pretenso futuro promissor em qual lugar seja. Mais do que sentido não visto em tudo isso, não tive vontade. Não foi a falta de explicação ou razão para um esforço, não foi a consciência da desimportância de tudo e todos, e da inevitabilidade da morte, e da fugacidade do tempo, ou qualquer iluminação sobre os propósitos da vida. Foi só cansaço. E também não era aquele tipo de cansaço que se passa com banho, férias ou uma boa noite de sono. Era a falta de vontade para as descobertas vindouras, por um tédio da alegria, do bom, do gostoso, do proveitoso, e uma desistência atencipada do ruim, do triste, do medo, da raiva.

2 comentários:

a.fernandes disse...

o futuro é a disposiçao de míseras (in)finitas possibilidades.
como se nao pudessemos escolher.

Anônimo disse...

A saída é levantar com o pé esquerdo e fazer dos dias mesmos, das pessoas mesmas, uma infinita descoberta. Eu ainda acho que tudo isso é falta de algo que tua alma chama, ou falta de alcool no sangue mesmo.
beijos juanzito ;)