Li uma teoria sobre o sexo que me foi espantosa e interessante. A teoria, cujo caráter era da interpretação filosófica ou metafísica, longe da metodologia científica, dizia, trocando em miúdos – e eu sempre imaginei o porquê de trocar em miúdos quereria dizer sobre algo de maneira rápida ou resumida, enfim – a teoria dizia que os homens brancos – aposto que os homens brancos ocidentais, caucasianos de origem judaico-cristã, aureolados pelo ótica burguesa do capitalismo, essas coisas das críticas institucionalizadas, e não o caucasiano dos Bálcãs, por exemplo, enfim, divago de novo – dizia que os homens brancos não sabiam amar, pois nunca se entregavam a cópula de maneira total, animal, estando, portanto, nunca inteiramente nus. E que isso, obviamente, era ruim. E que só os negros sabiam entregar-se completamente – o que, na minha cabeça, pressupunha certa culpa atávica do autor perante a nossa história, um tipo de complacência e condescendência literária. Vai saber.
Mas não posso concordar com a personagem, que talvez explicite alguma opinião do autor. Todo sexo é feito com roupa, com alguma roupa, com alguma personalidade. O sexo não é o encontro e a entrega animal. A volúpia tem de outras nuances além do óbvio e taxativo encontro entre dois animais.
Se fosse assim seriamos como outros mamíferos, reproduzindo em algumas épocas específicas do ano, quando estivéssemos todos no cio, trepando pelas árvores, geralmente entre maio e junho, pros do hemisfério norte, e algum outro mês pros do sul.
O sexo tem muito de mística, e não é o encontro fortuito e darwiniano de corpos apenas. E a gente nunca fica completamente nu. O sexo carrega em si todas as elucubrações que uma pessoa pode ter durante sua vida, desde a noção de amor, a idéia de liberdade, o mote da libertinagem, a desculpa literária, o refreio psicanalítico, Adão e Eva, e todos os arquétipos.
Os medos, a personalidade, o jogo, a fuga. Não posso achar que estamos nus.
domingo, 25 de novembro de 2007
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Um comentário:
É, vc me surpreendeu positivamente!
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