A realidade existente dentro da nossa própria cabeça é algo fascinante, toda a irrealidade construída por uma vida, toda a história que se passa e que é percebida de maneira particular, da vida e do mundo de plástico de quando se é criança, do medo do mundo e da ensimesmada existência adolescente, a vida prática adulta, da obra de arte, do amor, do segundo amor, do primeiro filho, do segundo casamento, dos fins de semana, do dia-a-dia, dos filmes com pipoca, dos jornais à noite, dos almoços, dos jantares, da limpeza e da sujeira, do tapete, da casa na praia, do dia no campo, na guerra do Golfo, na libertação da Índia, da fantasia doméstica, dos desejos de consumo, do ressentimento de você e da raiva de mim, da indiferença das coisas, do sono com sonho, do sono profundo e sem sonho.
Da luz da lua, do som da rua, do cheiro incômodo, da dor de barriga, da gripe cansada, da febre do corpo, da febre da alma, do gelo do inverno, do verão por verão, da primavera de Praga, da miséria no Congo, das cidades sitiadas, do latim, do grego, do inglês, do espanhol, da caçarola, do macarrão, da batata, da idade média, da revolução industrial, da revolução em mim e do piano de (em) cauda (e conserva).
Da minha mãe, do seu pai, de todos os tios e das avós que sobraram. Dos atores, das atrizes, do carpinteiro e do pai de santo. Das aranhas, das cobras, dos bichos de índole ruim, dos animais que voam sendo mais pesados que o ar e do avião. Da idade avançada com medo de quando a luz se apagar?
Da importância de dar risada de tudo isso, do cabelo branco, das guerras coloniais, das mortes por doença, das crianças com fome, do próprio infortúnio, do desapego budista e dos santos que morreram por pouco. Do cômico das saias rodadas, dos paetês, dos carnavais, da jogatina, do futebol, da alma eterna, da física quântica e da cosmologia.
Do despropósito do amor, da irrelevância do afeto, da dinastia genética, da razão darwinista, e da inutilidade da língua.
Mas da realidade da saudade se revisa a existência, no misto da coragem possível de todos os desejos do mundo com o sal da terra das coisas passadas.
Da luz da lua, do som da rua, do cheiro incômodo, da dor de barriga, da gripe cansada, da febre do corpo, da febre da alma, do gelo do inverno, do verão por verão, da primavera de Praga, da miséria no Congo, das cidades sitiadas, do latim, do grego, do inglês, do espanhol, da caçarola, do macarrão, da batata, da idade média, da revolução industrial, da revolução em mim e do piano de (em) cauda (e conserva).
Da minha mãe, do seu pai, de todos os tios e das avós que sobraram. Dos atores, das atrizes, do carpinteiro e do pai de santo. Das aranhas, das cobras, dos bichos de índole ruim, dos animais que voam sendo mais pesados que o ar e do avião. Da idade avançada com medo de quando a luz se apagar?
Da importância de dar risada de tudo isso, do cabelo branco, das guerras coloniais, das mortes por doença, das crianças com fome, do próprio infortúnio, do desapego budista e dos santos que morreram por pouco. Do cômico das saias rodadas, dos paetês, dos carnavais, da jogatina, do futebol, da alma eterna, da física quântica e da cosmologia.
Do despropósito do amor, da irrelevância do afeto, da dinastia genética, da razão darwinista, e da inutilidade da língua.
Mas da realidade da saudade se revisa a existência, no misto da coragem possível de todos os desejos do mundo com o sal da terra das coisas passadas.
2 comentários:
eu gosto das virgulas e dizer pouco.
idem.
Postar um comentário