sexta-feira, 1 de junho de 2007

Rien

Eu não tenho nada a dizer. Isso é tão nítido, alvo, claro, raro, como a pele de uma adolescente albina. Só terei aos trinta anos, aos cinquenta, aos cinquenta e dois. E isso é bom, isso é bonito. É um acômodo e um privilégio que eu posso me dar. Não tenho teorias, assuntos novos ou banais, temas interessantes, oportunos ou inoportunos. Tenho a leveza de quem não tem assunto e divaga inutilmente. Num sentido bobo e circulante.
Quem aos vinte anos tem assunto? Quem Rimbaud e tem toda a sua obra aos dezessete?
É como se todos os assuntos fossem desimportantes. Direi eu sobre a vida acadêmica? Direi sobre docentes, discentes, sobre o próprio conhecimento? Falarei sobre os bares e as mulheres da vida? Homens bebâdos e mulheres que se dão por pouco. Criarei teorias elaboradas sobre a desestruturação da família como núcleo societal? Vou dizer então do que? Do feminismo, de política, da moda, da noite, de computadores, filmes, cozinhas, garagens, espaçonaves, pedras, leis de trânsito, tribos africanas, espécies de algas, cores RGB, fabricação de cd´s, confecção de cuecas?
Digo do que vejo então. Que é pequeno e mesquinho, mas é meu.
Vejo um copo, é de vidro e transparente.

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