Penso que escrever seja um trabalho de velhos. E mais, um trabalho de velhos e sábios. Um trabalho só bem feito depois de muitos anos andados e muitas páginas lidas, mais do que escritas. Mas talvez chegarei a velhice sem ter nada a dizer, e chegue a ler muito sem saber reproduzir ou criar. Talvez eu envelheça e leia sem o privelégios dos dois. Serei um velho mudo, como todos os velhos mudos, e que não dizem nada cotidianamente. Também não terei a sabedoria. Sabedoria essa de escritor que não é sabedoria. Não é ser Platão, Buda, Averrois ou Jesus Cristo. Essa sabedoria tem pouco de prática, pouco ensina e muito inventa daquilo que vê. É anti-sabedoria, é anti-explicativa e amoral. Então, agora, sei que essa sabedoria não é na verdade uma sabedoria, e sei também que essa idade advinda da vivência também não é necessária ser vivida. Então como se envelhece para se adquirir voz e como se adquire sabedoria pra manifestar conteúdo?
Fosse a velhice unicamente uma idiossincrassia e eu há muito era velho, fosse a sabedoria um acúmulo de páginas, então em muito seria sábio, mas a minha vida continua um tropeço de desatenções, malentenções, enganos e tragédias cotidianas, cumulativas todas para a minha futura velhice. Aquela que talvez depois de meio século eu escreva sabedorias, sabedorias essas que não explicam nada e não ajudam ninguém. Essas sim o caminho para a literatura, a injustificação.
Fosse a velhice unicamente uma idiossincrassia e eu há muito era velho, fosse a sabedoria um acúmulo de páginas, então em muito seria sábio, mas a minha vida continua um tropeço de desatenções, malentenções, enganos e tragédias cotidianas, cumulativas todas para a minha futura velhice. Aquela que talvez depois de meio século eu escreva sabedorias, sabedorias essas que não explicam nada e não ajudam ninguém. Essas sim o caminho para a literatura, a injustificação.
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