A barriga roncou com a fome que evitava, tinha esse costume de adiar a refeição por preguiça, mas quando leu a última frase e já pospunha por tanto a ceia, sentiu uma vontade inadiável de comer, por um simples mecanismo estomacal e por uma vontade instintiva e desimportante, mesmo sabendo que aquilo que lhe dispunha para a ceia não tinha o exotismo nem a qualidade de grandes refeições, e era, apenas, o cotidiano e mal lembrado almoço de todos os dias, e que, por isso, era preparado sem carinho e sem cuidado, apenas por costume. E assim comeu com profunda admiração de estar vivo e ser um mecanismo. Admitiu, por um instante, que comer era prova da sua natureza animalesca e mecânica, que a fome, assim como a libido, era algo que nos mostrava a natureza inevitável da pele, dos ossos e da carne, tirando a mentirosa culpa e dúvida filosófica e existencial da qualidade do ser, da ética e da moral. Comeu com fome e com pressa, com os modos convencionais, com o garfo e sem a faca, achando o prato tamanha regalia e obrigação, sem o paladar apurado, com o privilégio da barriga cheia e satisfeita.
Daí, julgou tudo tão simples e tão esparso, tão longe de tudo no tempo pelo tanto tempo que ainda virá, que, em um desapego niilista, se posicionou dali a três meses, oito meses, a alguns anos e algumas décadas, e entendeu a desimportância de tudo, que já percebera antes, mas que sempre volta a incomodar. Era uma verdade instantânea e que não duraria, pois é humano se contradizer e visitar cidades e museus que já se imaginavam visitados e vistos, por tanto, superados.
Levantou da mesa, que também julgava um exagero de convenção, e foi ao banheiro, para cumprir com todos os ritos sociais que tinha se acostumado, fez por falta de vontade da rebeldia, pegou a escova e cerimoniosamente limpou todos os dentes desapercebidamente, até que, pelo tempo passado, terminou por desistência, e pensou em outro passatempo para se ocupar.
Era um dia de chuva e leve frio, dos dias em que a iluminação natural é pouca, e toda a vida fica na sombra, dias geralmente associados à melancolia ou a tristeza, mas que na verdade são só dias de sono, daqueles que se volta a deitar por frio e se encontra a dormir por horas e horas, até quando o sol já se pôs, quando a hora é a do jantar, e que depois alguns já se dispõem a dormir de novo, num dia inútil e inválido, mas necessário para um contato com a solidão, as vezes prolífico e proveitoso, em outras oportunidades cego e redundante.
Daí, julgou tudo tão simples e tão esparso, tão longe de tudo no tempo pelo tanto tempo que ainda virá, que, em um desapego niilista, se posicionou dali a três meses, oito meses, a alguns anos e algumas décadas, e entendeu a desimportância de tudo, que já percebera antes, mas que sempre volta a incomodar. Era uma verdade instantânea e que não duraria, pois é humano se contradizer e visitar cidades e museus que já se imaginavam visitados e vistos, por tanto, superados.
Levantou da mesa, que também julgava um exagero de convenção, e foi ao banheiro, para cumprir com todos os ritos sociais que tinha se acostumado, fez por falta de vontade da rebeldia, pegou a escova e cerimoniosamente limpou todos os dentes desapercebidamente, até que, pelo tempo passado, terminou por desistência, e pensou em outro passatempo para se ocupar.
Era um dia de chuva e leve frio, dos dias em que a iluminação natural é pouca, e toda a vida fica na sombra, dias geralmente associados à melancolia ou a tristeza, mas que na verdade são só dias de sono, daqueles que se volta a deitar por frio e se encontra a dormir por horas e horas, até quando o sol já se pôs, quando a hora é a do jantar, e que depois alguns já se dispõem a dormir de novo, num dia inútil e inválido, mas necessário para um contato com a solidão, as vezes prolífico e proveitoso, em outras oportunidades cego e redundante.
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