Me encantei por um gesto de criança, por um rosto de criança, uma maça do rosto alta e ingênua, olhos de búrica, uma boca grande, vermelha e boba, dentes brancos e largos, o sorriso persistente, um cabelo de faz de conta. Ela não cresceu, permaneceu numa infância de rosto e de alma, mesmo quando o corpo já amadureceu a muito e que sabe mais da vida e do mundo do que sabe sua cabeça. O corpo tem um domínio de si que a cabeça não tem e não se permite, o corpo insiste numa independência indiferente, auto-imposta e auto-imune, com gestos largos e definidos, com passos firmes e a decisão de um chefe de Estado, mas a cabeça não, a cabeça se impõe uma distância e uma estiagem que não são necessárias, a cabeça, assim como o rosto, não envelheceu, continua de criança, com seus medos e a vontade de brincar, com o choro e o medo de dormir sozinha. Quem vê o corpo imagina pouco a alma, porque não se parecem, as pistas que o corpo dá levam pra caminhos falsos, mas o que os olhos grandes e verdes mostram é nítido e bonito, algo bom e desejoso de mimar, num desenfreio carinhoso, com alguma angústia sem nome.
O seu corpo diz mentiras de uma história que a cabeça não sabe para onde quer levar. Não se entende o porquê antes e por tão pouco tempo sentiu tanto, em algo que achava que era só vício e vontade de amar. Quando aquele que desejou por um tempo não se mostrou generoso como achava que era, e quando agiu com a cabeça de criança mentindo com o corpo de adulto, não soube mais como levar essa história e preferiu uma amputação de um membro que nunca esteve antes em seu corpo, mas que quando se fez parte, achou que não poderia viver sem. No entanto, podia viver sem aquela presença cotidiana, já vivera tanto tempo sem e não fazia falta nem tinha necessidade, e fora assim outras vezes com outras presenças que, imaginava por um tempo, não saberia se desvencilhar. Porém, assim como outros, esse fora dono temporário de seu corpo que por talvez essa razão de sabedoria prévia, amadurecia e se transformava, sabendo a transitoriedade da situação e a banalidade do fato.
Então a cabeça escutou o corpo numa decisão precipitada, mas irredutível, com uma força de vontade que um corpo nunca suporta, mas que onera a alma, mostrando a quem for presente que tipo de espírito se tem e com que garra se decide a vida quando se julga uma situação mal julgada. Infelizmente a alma não tem culpa dos cinismos do corpo ou dos medos do coração e se tira assim a possibilidade de algo bom de alguém amputado.
O seu corpo diz mentiras de uma história que a cabeça não sabe para onde quer levar. Não se entende o porquê antes e por tão pouco tempo sentiu tanto, em algo que achava que era só vício e vontade de amar. Quando aquele que desejou por um tempo não se mostrou generoso como achava que era, e quando agiu com a cabeça de criança mentindo com o corpo de adulto, não soube mais como levar essa história e preferiu uma amputação de um membro que nunca esteve antes em seu corpo, mas que quando se fez parte, achou que não poderia viver sem. No entanto, podia viver sem aquela presença cotidiana, já vivera tanto tempo sem e não fazia falta nem tinha necessidade, e fora assim outras vezes com outras presenças que, imaginava por um tempo, não saberia se desvencilhar. Porém, assim como outros, esse fora dono temporário de seu corpo que por talvez essa razão de sabedoria prévia, amadurecia e se transformava, sabendo a transitoriedade da situação e a banalidade do fato.
Então a cabeça escutou o corpo numa decisão precipitada, mas irredutível, com uma força de vontade que um corpo nunca suporta, mas que onera a alma, mostrando a quem for presente que tipo de espírito se tem e com que garra se decide a vida quando se julga uma situação mal julgada. Infelizmente a alma não tem culpa dos cinismos do corpo ou dos medos do coração e se tira assim a possibilidade de algo bom de alguém amputado.
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