Uma é só amor e amor todo, outra é só desejo e a desejo, aquela é um encanto de indiferença inglesa, aquela também é um encobrimento de sentimentos, num cinismo profissional, ainda outras duas, uma é paixão louca e nenhuma razão, a maior foi um amor infantil. Eu tenho que escrever sobre mulheres, é a única coisa que me ocupa e me preocupa. A observação distante, de tão próximo, da mulher, ou do que elas dizem ser. Do que elas dizem ser mulher e o que elas agem e que é animal. Todas se definem sentimentalmente, e se definem por pathos, todas se definem pela paixão, seja qual for. Todas são volúpia ardente e proteção maternal. É assim que elas se oferecem, é isso que elas acham poder oferecer. Não sei se é de natureza, mas é de propaganda, sem dúvida. Essas mulheres todas, tão pathos, tão apaixonadas, e também apaixonantes, são o contrário do que dizem, são fogo frio, medos diversos, crianças mal cuidadas, homens pela metade, sonhos de consumo, fantasias de casamento, romantismos desastrados, promiscuidades ingênuas, controle e poder sensual e choros sem razão. São desastres. Essa natureza desastrada é o sal da graça. A vista de um homem a mulher é geralmente um desespero de descontrole. Mas isso seria reduzir a mulher a uma dinâmica de borboleta. Ainda assim, são impossíveis de traduzir, não há uma linguagem feminina que eu possa entender. Uma mulher não ama como um homem ama, não ama como os homens sinceros nem como os homens cafajestes, a mulher ama com uma doçura e um cafajestismo dos piores e dos melhores homens, a mulher ama o drama e a possibilidade dramática da situação, o teatro só não foi criado pelas mulheres, pois já atuam de dentro de si para fora no mundo.
quinta-feira, 10 de maio de 2007
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