quinta-feira, 10 de maio de 2007

Mécroire

Se todos fossem como você
Eu não saberia sofrer
Não teria verdades que magoam
E mentiras pra poder ver
Vem que passa o meu querer

Se todos fossem como você
E eu não mais choraria
Eu teria mil nomes
Adelaide e também Maria
Seria também ainda
Joana de Deus, Antônia da romaria,
E outras tantas, outras tantas
Cilene do Amapá, Francisca da padaria.
Seria uma mulher da rua
Seria de desgosto todo
Comeria carne crua
E viveria dentro do lodo
Porque não teria orgulho nenhum
E seria só amor e pranto
Te daria a minha felicidade e nenhum espanto.
Seria afetuosa como sua mãe
E não lhe maldiria a vida
Voltaria da rua
Trazendo sempre pão e sua pinga preferida
Te encheria a cara e lhe faria os desejos mais sinceros
Me rebaixaria e não teria dignidade
Dignidade é luxo de mulher que não ama
E eu te amo.
E não tenho dignidade alguma
Me permita fazer suas vontades e não ter vontade nenhuma.
Ser sua meretriz e fazer-lhe os gostos
Me sangro se quiser.
Me sangro agora, tiro a minha vida, se quiser
E nada te peço, e nunca te pedirei nada
Não precisa me amar
Nunca me amará como te amo.
E não peço isso
Só me permita ficar ao seu lado e ser sua
Não posso te possuir, mas você me possui
E tudo que peço é que me possua
É tudo, e não pode negar a vontade de alguém que morre de amores.
E eu morro se não me permitir.
Eu morro.
Me mato.
Me mato.

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