O amava por sua companhia, e sua habilidade de lhe fazer bem com palavras, e por ser carinhoso, e por saber cozinhar, vivia dizendo essas coisas a si mesma. Mas isso não eram motivos, eram justificativas. Amamos o ser amado independente dessas coisas, independente de qualquer coisa, usamos pretensas qualidades pra legitimarmos nossos sentimentos, pra validar a nossa decisão sentimental, que não tem nada de racional ou proposital, e Júlia sabia disso, a habilidade que ele tem com as palavras, e que as faz tão bem, era também a habilidade que possuía em enganar-lhe, com as mesmas palavras a manipulava diversas vezes, não que tivesse intenção ruim, fazia por que é assim feito todos os dias por todos os casais, é uma dinâmica de poder e mais-amor, batalhas conjugais que só depois de muito tempo fazem vítimas e mostram o perdedor, acontecia, porém, que Alfredo fosse a Inglaterra nesse confronto e Júlia uma pequena tribo africana.
Não era justo e nunca fora justo.
Não era justo e nunca fora justo.
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